O País das Maravilhas está dentro de nós: é onde enfrentamos os medos

Uma história fantástica sobre como enfrentar os nossos medos. Foi essa a principal interpretação que os alunos do Curso de Comunicação e Expressão de CETECC fizeram de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll.

A cada turma deste curso os alunos estudam um clássico da literatura. E para aprimorar a capacidade de análise, comparam cada capítulo do livro ao trecho equivalente de um filme com base na mesma obra.

No segundo semestre de 2016, a história escolhida foi a de Alice, adaptada para o cinema por Tim Burton. As diferenças entre as duas versões aumentaram o desafio, mas os alunos do CETECC demonstraram uma compreensão profunda da mensagem, o que é um dos objetivos do curso.

Anaíde Alves Porto apresenta a obra a quem não conhece. “No livro, Charles Lutwidge Dodgson, conhecido como Lewis Carroll, conta a história de Alice ainda criança. Uma menina sonhadora e com muitos medos, que faz uma estranha viagem num mundo subterrâneo e vive muitas aventuras com alguns animais falantes: o Coelho Branco, a tartaruga falsa, o grifo e outros. Tinha também o chapeleiro, que não era um animalzinho falante e sim um homem”.

Teresa Sonhos dá mais alguns detalhes. “Alice fazia companhia à irmã que estava lendo um livro. Ao ver um Coelho branco com um relógio no bolso, corre atrás dele, cai na sua toca e encontra várias portas e uma chave. Depois de beber um líquido e diminuir, ela entra em um mundo em que os animais falam. De volta ao tamanho natural, vive aventuras imaginárias”.

Retornamos para Anaíde, que aponta o diferencial da versão cinematográfica. “No filme, Alice volta já adulta ao País das Maravilhas e revive toda a história, com a missão de matar o Jaguadarte”.

Apaixonada pelos livros desde a infância, no interior de Pernambuco, Anaíde conclui: “É uma história que diz muito sobre os nossos medos particulares. Matar o Jaguadarte significou para Alice matar os seus medos, portanto, também os nossos”.

Cuidado com as armadilhas

Ana Hellen Guedes segue a interpretação na mesma linha. “Entendi que os sonhos devem ser seguidos, descobertos e conquistados, mas que, para isso acontecer, por mais íntimo que os mesmos sejam, é preciso enfrentá-los e tomar cuidado com as armadilhas que todo o percurso pode apresentar”, diz.

E o desafio da protagonista, afinal, era também de entendimento, como o dos alunos. “Alice procurou descobrir o que o sonho dela realmente era e o que precisava fazer para que soubesse ao menos interpretar seus desejos”, analisa Ana Hellen.

A jovem estudante de Educação Física decifra a personagem: “Desvendando os mistérios, enfrentado seus medos e descobrindo qual é o real sentido das coisas em sua vida. Prazer, Alice”.

Aprendendo com os erros

Para Renata Guedes, a obra deixa lições marcantes até para os desafios do trabalho e cita um exemplo. “O aprendizado nas entrelinhas do texto é que devemos aprender com os próprios erros. E que devemos encarar de frente os nossos medos para poder evoluir e crescer como ser humano e até mesmo profissionalmente. No filme, o Chapeleiro Maluco enfrentou o medo da rainha e fez vários chapéus para ela, mesmo sabendo que era exigente e podia mandar lhe cortar a cabeça, caso não a agradasse”.

Perguntada se mudaria algo na história, Renata gostaria que o filme terminasse com a Rainha Vermelha e a Rainha Branca se entendendo. “A Rainha Vermelha não aceitou que não houvesse luta entre a Alice e o Jaguadarte, mostrando toda a maldade que a inveja pode causar, afastando duas irmãs”, avalia.

Que caminho tomar?

André Macário achou a obra espetacular e destaca o famoso diálogo entre Alice e o Gato de Cheshire, também conhecido como o gato que ri. Alice pergunta qual era o caminho para sair daquele lugar. Ele responde: ”Isso depende de onde você quer chegar”. Ela diz que “o lugar não importa muito”. E o gato conclui: ‘Então não importa que caminho você vai tomar”.

Para André, o mesmo pode acontecer com qualquer um de nós. “Sempre queremos chegar a um lugar, mas nem sempre não sabemos qual”.

O mais importante é a descoberta feita por ele após essa aventura. “Há um País das Maravilhas dento de cada um de nós, basta a gente acreditar”.

O poder da imaginação

Fátima Anabel elogia a habilidade de Lewis Carroll em nos conduzir por uma história densa de forma divertida. “O autor narra a imaginação de uma criança, mostrando um mundo de Ilusão e ao mesmo tempo de muito medo. Ele nos envolve, fazendo com que todos levemos para a maturidade a criança que existe em nós neste mundo de imaginação e desafio, mostrando bem o lado do medo, que é algo que muitas vezes nos prejudica pela vida afora”, diz.

Anabel ressalta a força da imaginação. “No texto, Alice enfrenta todas as dificuldades ao seu modo de criança. É uma história infantil mostrando que, mesmo na maturidade, precisamos ter nosso mundo de imaginação e desafios, e que aprendemos sempre trabalhar com o medo que existe em todos nós”, afirma.

Mudando de tamanho

Ana Lúcia dos Anjos adorou a experiência de ler trechos do livro intercalados com cenas do filme. “Foi ótimo assistir o filme com o livro, porque compreendemos melhor a leitura e não fica cansativo”, afirma.

Ela elogia a viagem que Lewis Carroll proporciona ao leitor.  “O livro faz com que viajemos para o paraíso com Alice. Ele nos faz sentir parte da história e imaginar os lugares que a Alice esteve. Isso é surreal!”, encanta-se.

Também chamaram a atenção de Ana Lúcia as mudanças de tamanho da Alice ao longo da história. “Seria tão bom se pudéssemos mudar de tamanho dependendo da situação”, diz.

E ela dá uma sugestão nova para o final do filme. “Faria o casamento de Alice com o Chapeleiro. Parece que ele se apaixonou por ela. Os dois fariam um lindo par romântico”, acredita.

Uma menina sábia

Natividade ficou admirada com duas características marcantes da protagonista. “Alice é uma menina muito sábia nas histórias com os personagens e muito divertida”.

Já Geovana Martins Rezende preferiu a Alice crescida do filme. “Porque quando ela é criança a gente fica em dúvida se é tudo imaginação, mas quando ela adulta achamos que é realidade”.

Cristiane Martins Santos ressalta sua preferência. “O que mais gostei do filme foi quando Alice vence o medo e enfrenta o dragão”.

Ela não mudaria nada na história “Foi uma fixação”

Teresa Sonhos resume a sensação de todos ao final da leitura. “É uma história infantil, mas os adultos gostariam de estar nela, vivendo essas aventuras”.

E Anaíde dá a sentença final: “Eu cortaria a cabeça da Rainha de Copas”.

 

 

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