Ensino médio: mudança a toque de caixa

Por Anaíde Alves Porto

A proposta divulgada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para mudanças no ensino médio no Brasil trouxe mais dúvidas do que respostas. Se por um lado parece óbvia a necessidade de uma mudança urgente, por outro, as dúvidas são tantas que a medida provisória que ditou a nova lei parece ter sido feita às pressas e sem ouvir estudantes e professores.

A atual estrutura é considerada engessada e distante do interesse dos jovens. O país registra 1,7 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola –16% da população nessa faixa etária, que seria a ideal para o ensino médio.

Entre as questões propostas na Medida Provisória está a flexibilização do currículo, que hoje contém 13 disciplinas a serem cursadas nos três anos. Parte da grade de disciplinas será comum a todos, mas depois o aluno poderá optar por áreas de seu interesse: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e/ou ensino técnico.

Querem tirar disciplinas importantes como a educação física, sociologia e filosofia. Não pensam em como ficará a questão da obesidade na adolescência.

O ensino médio poderá ainda ser estruturado por módulos, o que permitiria que o aluno cursasse algumas disciplinas por sistema de créditos. Além disso, cerca de 50% do currículo seguirá a base nacional comum, quando ela for aprovada, e o restante deve ser definido pelas redes de ensino.

Outro ponto é a ampliação da grade obrigatória, de 800 horas anuais para 1.400, tornando o ensino integral–hoje ele é restrito a apenas 6% dos alunos do país, a meta é alcançar 25% dos matriculados em 2024.

O Novo Ensino Médio vai ofertar também formação técnica profissional, com aulas teóricas e práticas. Essa qualificação técnica vai ocorrer dentro do período normal, sem a necessidade de que o aluno esteja no ensino integral.

O governo promete investir, ao longo de dois anos, R$ 1,5 bilhão para converter escolas para tempo integral. Pela programação do Ministério da Educação, a mudança começará a partir do primeiro semestre de 2017. Até o fim de 2018, a meta é ter 500 mil jovens em escolas de tempo integral.

Só que para a mudança ocorrer, as secretarias estaduais de Educação deverão indicar um número de escolas para participar do programa. Cada unidade que aderir ao projeto vai receber R$ 2 mil por aluno ao ano.

As explicações ainda são poucas. Queremos saber, por exemplo, onde vamos alocar os adolescentes enquanto as escolas não ficam prontas? E aqueles que precisam trabalhar, como vão conciliar os estudos? Será oferecida formação para gestores? As famílias serão chamadas para o cotidiano escolar? Mais professores serão contratados?

Especialistas são quase unânimes ao dizer que a reforma é necessária, mas fazem ponderações que vão desde aspectos sociais a uma falta de debate amplo sobre o tema.

Segundo o pesquisador Antonio Augusto Batista, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, as escolhas dos jovens são muito orientadas pelas condições de vida deles. Ou seja, para o jovem pobre do ensino público a possibilidade é bem mais restrita. Em muitos casos, esse jovem tem talento para seguir uma carreira determinada, mas acaba optando pela educação profissional, por exemplo, por necessidade. Para que a escolha seja fator de sucesso é preciso que o jovem seja bem qualificado para fazê-­la, dentro das diversas possibilidades. Senão, vão escolher as de sempre.

Leia mais:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/cotidiano/2016/09/23/noticiasjornalcotidiano,3660446/mudancas-no-ensino-medio-geram-mais-duvidas-do-que-respostas.shtml

http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/09/reforma-do-ensino-medio-e-prioridade-do-governo-diz-mendonca-filho

http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/09/projeto-de-lei-propoe-reestruturacao-do-ensino-medio

http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/09/enem-e-reconhecido-na-selecao-de-estudantes-brasileiros-em-universidade-portuguesa

http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/09/reforma-do-ensino-medio-e-prioridade-do-governo-diz-mendonca-filho

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Ao descobrir o segredo da vida, Frankenstein conhece a morte

IMAGEM anaíde

Por Anaíde Alves Porto

Ao ler o livro e assistir Frankenstein, de Mary Shelley, fui tomada por muita emoção. Adorei e entendi porque esta obra é considerada um dos maiores clássicos de terror da literatura. O livro conta a história do jovem Victor Frankenstein. Nascido na Suíça, de uma família bem-sucedida e feliz, Victor desde pequeno desenvolveu uma grande curiosidade: de onde vem a vida?

Num ímpeto de loucura, criou um ser semelhante ao homem e, consequentemente, essa criatura destruiu a sua vida, matando todas as pessoas que ele amava, começando pelo seu irmão caçula Willian e mais tarde o seu melhor amigo Henry. A história fala de romance, terror, abandono e solidão.

Gostei da parte que o monstro desenvolve bons sentimentos ao observar uma família num pequeno vilarejo e desejar para si uma vida semelhante. Ficou escondido numa choupana no fundo da casa e assim aprendia com eles.

Não gostei quando o mesmo desenvolveu maus sentimentos, ao descobrir que os homens são maus. Ao ser visto, por causa da sua aparência foi agredido e expulso. Sentiu-se rejeitado e quis se vingar do seu criador, a quem chamava de pai.

Foi procurar por Victor para exigir do mesmo uma explicação a respeito da aparência e do abandono. Queria uma companheira a qualquer custo. Alguém com a sua aparência para a amenizar a solidão. Quando Victor se recusou, ele ficou irado e jurou vingança.

Victor voltou atrás depois da criatura fazer sua primeira vítima, William, seu irmão caçula. Voltando ao laboratório, sempre com o monstro por perto, criou uma companheira, mas arrependido, queimou a fórmula e a mulher.

A criatura que estava à espreita, ficou irada e jurou se vingar do Victor na noite de núpcias. Victor achava que o monstro iria matá-lo, porém a vítima era Elizabeth, sua noiva.

O casamento foi antecipado porque o Victor queria acabar logo com isso achava que com a sua morte, a criatura iria embora. Para tristeza do Victor, o monstro apareceu de forma diabólica, usou uma outra pessoa para confundi-lo e tirá-lo do quarto para matar Elizabeth. Missão cumprida; agora ele tinha certeza de que ambos iniciariam uma caçada onde a criatura seria a caça e o criador o caçador.

Quando voltou para casa sem a sua amada, Victor encontrou o seu pai muito triste com tudo que havia acontecido e logo este faleceu.

Sozinho, Victor perdeu o sentido da vida e destruir o monstro virou uma obsessão. A criatura deixava pistas sugerindo aonde deveria estar. Chegaram finalmente no Polo Norte, região muito fria e foi lá que Victor morreu bastante debilitado, mas cuidado por um novo amigo, o capitão do navio encalhado que o acolheu e ouviu seus relatos.

Quando a criatura chegou e deparou com o seu pai morto, demonstrou tristeza, o tomou nos braços e sumiu. Ao tentar descobrir o segredo da vida, Victor Frankenstein conheceu a morte…

Gostei da história, mas penso que se o monstro tivesse sido amado, acolhido pelo Victor e sua família, o final seria outro.

À PROCURA DE UMA EDUCAÇÃO MELHOR PARA MEU FILHO

Por Anaide Alves Porto

São Paulo – Muita aula vaga, afastamentos sistemáticos de professores, pouco ou quase nenhum conteúdo em sala de aula. Essa experiência que eu vivi durante anos com meu filho no ensino fundamental, não gostaria que nenhuma outra mãe passasse.

Infelizmente não há como evitar, já que esta é a realidade de algumas públicas no Brasil. Meu filho conseguiu avançar porque tinha o meu apoio dentro de casa. Foram inúmeras as vezes que, junto com as outras mães tentamos alguma solução para os problemas.

Na quarta série, por exemplo, a professora pediu afastamento quatro vezes. Quando os alunos se acostumavam com o professor substituto, ela retornava deixando a cabeça dos estudantes bastante confusa.

Além disso, a falta de professores também era um outro problema. Da quinta a oitava série, sempre havia aula vaga, e não havia reposição. Conclusão: o meu filho, que hoje está no ensino médio, ainda escreve errado e não está preparado para o ensino superior.

Pesquisa recente mostra que mais de 65% dos alunos brasileiros no 5º ano da escola pública não sabem reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo. Cerca de 60% não conseguem localizar informações explícitas numa história de conto de fadas ou em reportagens.

A necessidade de revisão do sistema educacional brasileiro é evidente para acadêmicos, políticos e jornalistas. Não é para menos. O desempenho de brasileiros em avaliações internacionais é decepcionante, para dizer o mínimo. Segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2009, o Brasil ocupa o 53º lugar em Ciências e Leitura e o 57º em Matemática, dentre os 65 países que fizeram parte da pesquisa, atrás de países em desenvolvimento como México e Polônia.

Recente estudo do Instituto Paulo Montenegro (IPM) demonstra que impressionantes 38% dos alunos universitários são analfabetos funcionais (competência básica para interpretar textos). Enquanto isso, o próprio Ministério da Educação (MEC) também se tornou alvo de críticas após suas falhas consecutivas na aplicação do ENEM ( Exame Nacional do Ensino Médio) de 2009 a em 2011.

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Ensino em SP

No Estado de São Paulo, além da falta de infraestrutura e de professores, o ensino enfrenta agora um outro problema: a proposta de reorganização escolar defendida pelo governo do Estado.

Atualmente os alunos que já frequentam as unidades de ensino estaduais ou municipais tem assegurada a continuidade dos estudos na rede pública de forma automática.  Também é automático o cadastramento de crianças com idade mínima de seis anos completos que cursam a pré-escola pública. Nestes casos, a inclusão é feita no 1º ano do Ensino Fundamental, mediante consulta aos responsáveis e atualização do endereço residencial.

A proposta da reorganização escolar do governo do Estado de São Paulo pretende, por meio da divisão por idades, oferecer uma escola mais preparada para as necessidades de cada etapa de ensino e atenta à nova realidade das crianças e jovens.

Para fazer a inscrição na matrícula antecipada, basta o responsável pelo aluno comparecer a uma escola pública e fornecer nome completo do candidato, data de nascimento, endereço residencial e telefone para contato.

“Com a matrícula antecipada, a Secretaria da Educação do Estado planeja o atendimento de todos os alunos para o próximo ano letivo, em conjunto com as secretarias municipais. O sistema unificado respeita os critérios de oferta de vagas definidos entre o Estado e o município e facilita organização das famílias”, afirma Andrea Grecco, responsável pelo Departamento de Planejamento da Rede Escolar e Matrícula, da Secretaria.

Com a divisão das escolas por ciclo, algumas unidades terão apenas alunos de 6 a 10 anos; outras receberão os adolescentes de 11 a 14 anos; outras serão exclusivas para jovens entre 15 e 17 anos.

As escolas que oferecem apenas um ciclo – 1º ao 5º do Ensino Fundamental, 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental ou Ensino Médio – são mais fáceis de administrar, pois a divisão permite que a equipe gestora, diretores e coordenação, tracem estratégias pedagógicas focadas nas necessidades de aprendizado do público atendido. A medida facilita também o planejamento das aulas pelos professores.

Entre os benefícios da medida também está a redução nos conflitos entre alunos de idades diferentes.

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Porém, o que precisamos, além de uma reorganização escolar, é que, para uma escola ser considerada boa, deveria imitar as escolas particulares. Desde cedo investir no que há de melhor para todos os alunos. Ter bons laboratórios, professores qualificados e bem remunerados, línguas estrangeiras e tudo que é necessário para o estudante. Também deve ter segurança e disciplina. Não queremos mais escolas como as das imagens acima!

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,ensino-medio-no-estado-de-sao-paulo-tem-pior-nivel-em-6-anos,1546438

http://www.educacao.sp.gov.br/reorganizacao