Seremos todos velhos um dia…

Por Natividade Mota

A saúde pública do idoso no Brasil vai de mal a pior. Mais do que a população pobre em geral, o idoso é tratado nos hospitais públicos com descaso e desdém. A falta de um gerenciamento eficaz no Sistema Único de Saúde atinge principalmente as pessoas da terceira idade mais pobres, que dependem basicamente de consultas e exames rotineiros para sobreviver.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2005 para 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais na população do Brasil passou de 9,8% para 14,3%. Ao mesmo tempo, observou-se queda no nível de ocupação dos idosos de 30,2% para 26,3%. O perfil do grupo de idosos que trabalham sofreu mudanças: diminuiu a proporção de idosos ocupados que recebiam aposentadoria, de 62,7% para 53,8%, e aumentou a participação de pessoas com 60 a 64 anos entre os idosos ocupados, de 47,6% para 52,3%.

Isso porque os idosos precisam continuar a trabalhar mesmo depois de aposentados, elevando, muitas vezes, a necessidade de atendimento médico.

Posso, com certeza, afirmar, já que cuido há anos de um marido idoso, que nos postos médicos, os mais velhos são preteridos em relação aos mais jovens. Isso porque muitas vezes os idosos somatizam algumas doenças, motivados principalmente por um diagnóstico de depressão.

Com a falta de médicos e de recursos hospitais e clínicas públicas priorizam pessoas com diagnósticos mais definidos. Não é raro ver idosos esperando horas por atendimento médico adequado. Muitas vezes são liberados sem nenhum tipo de procedimento.

Os profissionais da saúde têm olhar fragmentado do idoso e não foram capacitados para atendê-lo de maneira integral. As equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e dos Núcleos de Apoios da Saúde da Família (NASF) por sua vez, estão incompletas e insuficientes para atender esta parcela da população.

Também há deficiência na quantidade de profissionais, na estrutura física e na rede de exames complementares para atender à necessidade de saúde dos idosos, gerando demora acentuada no atendimento, o que acaba levando a piora do quadro clínico. Assim, os mais velhos acabam sendo levados para as emergências/urgências (Unidades de Pronto Atendimento) e, consequentemente, em situação mais grave e já com indicação de internação hospitalar. Quadro que poderia ter sido evitado, caso houvesse o atendimento adequado no momento correto.

É preciso urgente estabelecer uma rede integrada de atenção ao idoso, no qual seja promovida a integração entre todos os níveis de atenção à saúde – primária, secundária e terciária – bem como promover a formação e capacitação de profissionais qualificados para atender à crescente demanda de maneira integral às demandas dos idosos em suas diferentes esferas de saúde, educação e sociais, diz um dos documentos da Associação Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Leia Mais:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/03/estudo-do-sus-aponta-principais-problemas-da-saude-publica-no-brasil.html

http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Saude-Publica-No-Brasil-Sofre-Com/77594137.html

http://sbgg.org.br/envelhecimento-no-brasil-e-saude-do-idoso-sbgg-divulga-carta-aberta-a-populacao